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14/12/2006 |
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MPF consegue no STJ paralisar obras em área de patrimônio histórico no Recife |
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O Ministério Público Federal (MPF) em Pernambuco obteve a paralisação das obras dos Edifícios Pier Maurício de Nassau e Pier Duarte Coelho, construídos pela Moura Dubeux Engenharia Ltda, no Cais de Santa Rita, no Recife, até o julgamento final da ação civil pública proposta em março de 2005 pelo MPF. |
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A paralisação das obras é resultado de decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que anulou, na terça-feira, dia 12, decisão do Tribunal Regional Federal da 5ª Região e, com isso, fez valer novamente decisão da 6ª Vara Federal, que havia determinado a paralisação das obras até o julgamento da ação civil pública. A Segunda Turma do STJ, por unanimidade, foi favorável ao recurso apresentado pelo procurador Regional da República Antônio Edílio Magalhães Teixeira. O relator do caso foi o ministro Castro Meira. |
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Na ação civil pública, o MPF pede que a Justiça torne sem efeito a aprovação para a construção das duas torres, concedida pelo município do Recife sem a análise do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O MPF alega que a obra, situada em área de casario baixo e próxima a inúmeros bens tombados, vai afetar a visibilidade dos bens de valor histórico e a harmonia do conjunto urbano local, em desrespeito ao Decreto-lei nº. 25, de 1937. |
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Ruptura - As torres foram projetadas para uso residencial e contam, cada uma, com 41 andares, o que equivale a mais de 134 metros de altura. Para o MPF, os dois edifícios vão comprometer a visão dos monumentos e a harmonia do conjunto arquitetônico de três bairros: Santo Antônio, de São José e do Recife. |
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Nessas áreas, predomina o casario baixo, em que os prédios não têm mais de quatro andares, característica comum a outras cidades históricas como Olinda e Ouro Preto. Devido à altura e ao estilo moderno, as torres vão gerar uma ruptura nas característica urbana desses bairros, consolidada ao longo de séculos da história recifense. |
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Entre os monumentos situados nas imediações da obra da Moura Dubeux estão o Mercado de São José e a Fortaleza de São Tiago das Cinco Pontas, um dos principais fortes edificados no século 17. Várias igrejas também estão nas vizinhanças, entre elas a Concatedral de São Pedro dos Clérigos, reconhecida à distância pelas duas torres coroadas por cúpulas. |
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Memória urbana - Um dos pareceres técnicos que integram a ação, feito por determinação do MPF, ressalta a importância dessas edificações para a memória urbana do Recife, pois demarcam etapas do crescimento da cidade nos séculos 17 e 18. Para o MPF, embora seja importante a revitalização dos bairros centrais do Recife e seja possível novas construções em área vizinha a bens de valor histórico, é necessário que essas obedeçam às normas de preservação de visibilidade e harmonização com o conjunto urbano. |
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A construção contraria ainda o Complexo Turístico Cultural Recife Olinda e o Projeto Recife-Olinda, iniciativas de grande importância para esses municípios dirigidas à dinamização econômica da região, que tem como diretriz o controle do gabarito das construções justamente para garantir a visibilidade do patrimônio histórico e cultural dos Bairros de São José e de Santo Antônio. |
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Na ação, o MPF reforça que o Recife se destaca de outros municípios não pelos seus altos e modernos prédios, mas sim pelo seu patrimônio histórico, o que se reflete de forma positiva, inclusive, no fluxo de turismo à cidade e em investimentos de organismos internacionais. |
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